quarta-feira, 22 de junho de 2011
Luxúria
Deserto de incertezas...
tão grandes quanto o vazio
na boca do meu estômago
congelando meus pés...
o desejo, sem meio-termo,
invade sem anunciar-se...
confiante!
inebriante ópio, seu rastro...
entregue ao teu comando
padeço de ti
[Anita Lester]
sábado, 11 de junho de 2011
Ai de mim
Ai de mim se teus pés cruzarem meus passos -
sozinha...
Medo das vicissitudes a tremerem meus músculos -
por ti...
Memórias lembradas, criadas, fantasiadas -
de cores nossas...misturadas...
Cravado em minha história -
marinheiro...
Segue na liberdade
Do desejo que despertas -
em mim...Anita Lester
Eterna
Desejo escorre sob tuas vestes
Alimenta luxúria
Dos viajantes
Perfume inebriante
Tonteia os sentidos
Dos desavisados
Quebra tabus
Inspira
Respira
Fascina
A lua
Dos enamoradosAnita Lester
quarta-feira, 8 de junho de 2011
Meu tempo
Não aceito quem arranca meu tempo,
Sem ao menos o vislumbre de uma escolha...
rouba, assim, o meu desejo...de mimAnita Lester
segunda-feira, 6 de junho de 2011
Exílio
Afluente das tuas águas e,
ainda assim,
estranho de ti -
sussurra a Verdade
aos meus incrédulos mas conformados
ouvidos.
Cansada da luta,
entrego minhas armas
em troca, quero o exílio!
Exílio de tudo "o que nunca será"
Anita Lester
Vôo da Fênix
Fogo que consome minhas tardes frias
No impacto da presença que choca com meu devir
Desamor fortuito,
mata, fere, infertiliza o renascer
Almas que seguem em paralelas infinitas [mas]
insistem buscar a mesma estrada, sem ceder
Impossibilidade...resta o amargo
do sonho não realizado
Corro de teus laços
para encontrar a mim, marcado
Leve, com teu peso a me esmagar
Livre, com tuas amarras buscando me laçar
Plena, com tua falta assombrando meu desabrochar
Sem ti...contigo em mim...forma única de evoluir...experenciar
domingo, 5 de junho de 2011
Vício Circuloso
Túnel, porta, mantra
excita e fascina
atrai, irrita, repele
retorna, enrosca, começa e
[nunca] termina.
excita e fascina
atrai, irrita, repele
retorna, enrosca, começa e
[nunca] termina.
[Anita Lester]
quarta-feira, 25 de maio de 2011
Você realmente ama?
O verdadeiro amor - em qualquer de suas formas - liberta, nunca escraviza;
a prisão mata a essência do amor...de fome.
O amor por alguém ou por algo não deve ter explicação racional,
nem ser condicionado ao que se recebe em troca e,acima de tudo,
só pode realmente existir "apesar de".
E isso só é possível quando nos desprendemos de nosso próprio ego
e desistimos da tarefa - impossível -
de tornar o objeto amado um espelho de nosso ideal
e permitimos que este se expresse em sua plenitude e ainda assim - o amamos,
ainda que sua existência siga para além nossos passos.
Quem disse que amar era fácil, mentiu ou nunca amou.
É o mais belo e amargo aprendizado que temos acesso em vida -
e a grande maioria parte sem ter concluído a lição.
Talvez por isso sejam necessárias tantas vidas...
REnascer
Encontrei em você o que já não mais procurava
Da inusitada luxúria, foi plantada a semente de um belo jardim
Do desejo de querer-te, nasceu o sentimento de viver-te
Caminhar contigo, é o que quero...não esperava
Da inusitada luxúria, foi plantada a semente de um belo jardim
Do desejo de querer-te, nasceu o sentimento de viver-te
Caminhar contigo, é o que quero...não esperava
sábado, 11 de setembro de 2010
E fez-se o breu...
trazendo consigo a noite eterna.
Teu cinza, já familiar do caminhar vivente
sem cor o qual sempre brindou minha existência
inocentemente [?] pela senda não escolhida.
Afinal, não há como o fazer...
ainda assim uma senda feita árdua.
Se por mim ou pelo Outro não sei,
mas provavelmente por ambos.
Há dias em que se faz tal qual uma obra Dantesca
o simples despertar...
Ao meio dia a euforia convida ao Banquete dos Gozos.
Ao entardecer a Fúria de mil Minotauros esmaga dentro e fora.
Chega a noite! A reclusão em ti é o que me salva...
de mim...
Anita Lester
Repetição
Ungida de desesperada esperança,
Caminho todos os dias sobre o Éden e sobre o Hades
Já se completam tantos sóis e tantas luas assim
Que nem sei mais onde me encontro ou o que há de ser
O Éden com suas flores e céu límpido
Suave brisa acariciando os cabelos
Lindas Ninfas e belos Elfos a cantar o amor
Envolve o ser visitante em sua luz ofuscante
Mas em certo momento que não sei exatamente qual
Essa doçura embrulha-me os quereres
Já não consigo andar por lá
De uma queda estou no Hades
Quente, de um odor inebriante de embriaguez e sexo
Convidam-me a dançar uma música que não se ouve com os ouvidos
Se sente com os sentidos
Tudo pode, cabeça gira confusa
Ahhh...novamente no Limbo...Anita Lester
Violetas
Violetas fitam minha face pálida
Espreitam meus sentidos
Mas nem sua beleza cala a dor
Que me acompanha como um membro colado ao corpo
Me doem tuas cores, que meu cinza obscurecem
Quisera eu poder apreciar teu encanto e,
quem sabe assim, esboçar um sorriso
Que perpassasse dos meus lábios à minh'alma.
Violetas sarcásticas, que zombam dos rasgos em minha pele
Das minhas olheiras insones,
Daquilo que não sou, mas poderia ter sido.
Tu...continuas bela.
Eu...continuo...Anita Lester
quarta-feira, 8 de setembro de 2010
MONTANHA RUSSA DE MIM
Quero fugir...mas para onde posso fugir
que eu não esteja à minha espreita, sorrateira e debochada?
Onde posso me esconder
dos tropeços dados pelos meus próprios pés?
Como posso viver acompanhada de mim,
sendo eu tão inconstante a ponto de muitas vezes
não me querer por perto e assim mesmo acorrentar-me ao pé da mesa?
Ah vida...ou morte...o que mais hei de mutilar
para descobrir quem sou, o que quero, a quem eu quero, o que suporto?
Quem há de estar junto de mim apesar de...
quem há de me acompanhar nessa montanha russa até o fim de mim?Anita Lester
segunda-feira, 6 de setembro de 2010
Não Importa
Que há de ti que me escapas
Como sangue em luvas de seda
Foges deixando marcas e cheiros
Inconfundíveis de tu mesmo
Banha-me em tua desordem
Inspira-me com tua ausência
Brinda-me com a insanidade por tantos repelida
Sê esta loucura - criação minha
Ou ser vivente nesta senda
Não importa...Quero sorver
Cada gota de tua poesia,
Alimentando-me da luz que emana de ti
E quando a morte por sorte vier,
Seja sob tua colcha de retalhos que eu descanse meu ser insone.
Anita Lester
sábado, 4 de setembro de 2010
Dor e prazer
A dor da existência se transmuta perpassando nada além do que
a camada mais fina do meu ser
Cada agulhada vale as endorfinas próximas a invadir corpo e mente
numa onda de prazer...e dor - sensações inseparáveis do viver
A capacidade de ficar estático durante o processo,
por vezes torturante,
indica essa estranha e histórica ligação da raça humana
com a superação de si mesmo,a arte marcada no corpo [e na alma]
O resultado, um belo quadro vivo e pulsante, claro do ser desejante,
para aquele que saiba ler suas linhas e suas cores
Um mito de si mesmo contado calado, na pele do tatuado.
Anita Lester
domingo, 29 de agosto de 2010
Desejo
O desejo e o desejar espreitam a alma humana desde o primeiro arfar ao leite materno
até o último suspiro nos fazendo cárceres e carcereiros de nós mesmos...
nesse desdobrar da vida em curso,
alguns passeam por ela como por um jardim sem espinhos numa ilusão infante;
outros travam batalhas espartanas tendo em vista uma conquista sem terras;
ainda há aqueles que se fecham em copas para a realidade [se é que ela existe]
vivendo num mundo inventado de prazeres ou dores.
E há aqueles que escrevem sobre aqueles todos outros buscando significado para si.Anita Lester
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
A maior e mais amendrontadora prisão
é aquela que se constrói dentro de si mesmo
Se faz perversa pois o torturador e o carcereiro
fazem parte da própria carne.
Como então fugir dos próprios anseios, desesperos,
assim como da euforia destruidora de si e daqueles que te cercam?
A licergia, a embriaguez já não dão mais conta de apaziguar o Outro
que se constitui e se alimenta das entranhas e segue pregado nas víceras
de quem sofre e ao mesmo tempo regozija-se de seu lugar ambíguo
Remédios lícitos vêm [tentar] substituir a caminhada na ilegalidade
Adormecimento da dor de existir? Submissão às normas vigentes e ditadoras da normalidade?
Seria a morte a salvação? Ou após a morte seguirão como pares pela eternidade
[se esta existir]Anita Lester
segunda-feira, 23 de agosto de 2010
Inconstância
A inconstância não me permite
essa confiança...
Me sei apenas hoje,
e a cada dia,
pode ser outra coisa
que me alegra ou me assusta,
me liberta ou me condena.
Presa, estou em mim.
Massa corpórea liberta em sonhos e devaneios.
Sigo...
Anita Lester
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Tão perto do meu sofrer, tão longe do meu amar...
Olhos inquietos que não querem dormir para te observar
nesse mais um último dia de nós dois.
Um dia desses há de ser o último, pois tudo se finda em um tempo.
Tempo a que desafio e temo constantemente.
Lança-me à sorte dos amantes apartados
O sono invade o corpo e com ele o pesadelo da despedida
Toca o despertador e vais...sabes tu que levas parte de mim
Ficas também...independente de mim...és aquiAnita Lester
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Sonho de ti
Amedrontam-me os sonhos...
minha primeira tarefa do dia é esquecê-los
antes do abrir dos olhos!
Não por serem ruins, em sua maioria...
longe disso! Por vezes tão convidativos
que o mais breve contato com a realidade fere as lentes sonhadoras
que em meio aos mais loucos [e lindos] delírios, se vêem embaçadas
a cada passo de consciência...
Sonhos que alçam vôos macios...que estremecem cada célula do corpo
e deixa rastro fluidos nos lençóis...
ahhh se realizáveis!
Será que seriam tão ardentes o emaranhar de pernas?
Anita Lester
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