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domingo, 5 de junho de 2011

Vício Circuloso



Túnel, porta, mantra 
excita e fascina
atrai, irrita, repele
retorna, enrosca, começa e
[nunca] termina.

[Anita Lester]

quarta-feira, 25 de maio de 2011

Você realmente ama?



O verdadeiro amor - em qualquer de suas formas - liberta, nunca escraviza;
a prisão mata a essência do amor...de fome. 
O amor por alguém ou por algo não deve ter explicação racional, 
nem ser condicionado ao que se recebe em troca e,acima de tudo,
só pode realmente existir "apesar de". 
E isso só é possível quando nos desprendemos de nosso próprio ego 
e desistimos da tarefa - impossível - 
de tornar o objeto amado um espelho de nosso ideal
e permitimos que este se expresse em sua plenitude e ainda assim - o amamos, 
ainda que sua existência siga para além nossos passos.
Quem disse que amar era fácil, mentiu ou nunca amou.
É o mais belo e amargo aprendizado que temos acesso em vida -
e a grande maioria parte sem ter concluído a lição. 
Talvez por isso sejam necessárias tantas vidas...

REnascer




Encontrei em você o que já não mais procurava
Da inusitada luxúria, foi plantada a semente de um belo jardim
Do desejo de querer-te, nasceu o sentimento de viver-te
Caminhar contigo, é o que quero...não esperava 


sábado, 11 de setembro de 2010



E fez-se o breu...
trazendo consigo a noite eterna.
Teu cinza, já familiar do caminhar vivente
sem cor o qual sempre brindou minha existência
inocentemente [?] pela senda não escolhida.
Afinal, não há  como o fazer...
ainda assim uma senda feita árdua.
Se por mim ou pelo Outro não sei,
mas provavelmente por ambos.
Há dias em que se faz tal qual uma obra Dantesca
o simples despertar...
Ao meio dia a euforia convida ao Banquete dos Gozos.
Ao entardecer a Fúria de mil Minotauros esmaga dentro e fora.
Chega a noite! A reclusão em ti é o que me salva...
de mim...

Anita Lester

Repetição



Ungida de desesperada esperança,
Caminho todos os dias sobre o Éden e sobre o Hades

Já se completam tantos sóis e tantas luas assim
Que nem sei mais onde me encontro ou o que há de ser
O Éden com suas flores e céu límpido
Suave brisa acariciando os cabelos
Lindas Ninfas e belos Elfos a cantar o amor
Envolve o ser visitante em sua luz ofuscante
Mas em certo momento que não sei exatamente qual
Essa doçura embrulha-me os quereres
Já não consigo andar por lá
De uma queda estou no Hades
Quente, de um odor inebriante de embriaguez e sexo
Convidam-me a dançar uma música que não se ouve com os ouvidos
Se sente com os sentidos
Tudo pode, cabeça gira confusa
Ahhh...novamente no Limbo...

Anita Lester

Violetas


Violetas fitam minha face pálida
Espreitam meus sentidos
Mas nem sua beleza cala a dor
Que me acompanha como um membro colado ao corpo
Me doem tuas cores, que meu cinza obscurecem
Quisera eu poder apreciar teu encanto e,
quem sabe assim, esboçar um sorriso
Que perpassasse dos meus lábios à minh'alma.
Violetas sarcásticas, que zombam dos rasgos em minha pele
Das minhas olheiras insones,
Daquilo que não sou, mas poderia ter sido.
Tu...continuas bela.
Eu...continuo...

Anita Lester

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

MONTANHA RUSSA DE MIM



Quero fugir...mas para onde posso fugir
que eu não esteja à minha espreita, sorrateira e debochada?
Onde posso me esconder
dos tropeços dados pelos meus próprios pés?
Como posso viver acompanhada de mim,
sendo eu tão inconstante a ponto de muitas vezes
não me querer por perto e assim mesmo acorrentar-me ao pé da mesa?
Ah vida...ou morte...o que mais hei de mutilar 
para descobrir quem sou, o que quero, a quem eu quero, o que suporto?
Quem há de estar junto de mim apesar de...
quem há de me acompanhar nessa montanha russa até o fim de mim?

Anita Lester

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Não Importa


Que há de ti que me escapas
Como sangue em luvas de seda
Foges deixando marcas e cheiros
Inconfundíveis de tu mesmo
Banha-me em tua desordem
Inspira-me com tua ausência
Brinda-me com a insanidade por tantos repelida
Sê esta loucura - criação minha
Ou ser vivente nesta senda
Não importa...Quero sorver
Cada gota de tua poesia,
Alimentando-me da luz que emana de ti
E quando a morte por sorte vier,
Seja sob tua colcha de retalhos que eu descanse meu ser insone.

Anita Lester

sábado, 4 de setembro de 2010

Dor e prazer


A dor da existência se transmuta perpassando nada além do que
a camada mais fina do meu ser
Cada agulhada vale as endorfinas próximas a invadir corpo e mente
numa onda de prazer...e dor - sensações inseparáveis do viver
A capacidade de ficar estático durante o processo,
por vezes torturante,
indica essa estranha e histórica ligação da raça humana

com a superação de si mesmo,a arte marcada no corpo [e na alma]
O resultado, um belo quadro vivo e pulsante, claro do ser desejante,
para aquele que saiba ler suas linhas e suas cores
Um mito de si mesmo contado calado, na pele do tatuado.


Anita Lester

domingo, 29 de agosto de 2010

Desejo



O desejo e o desejar espreitam a alma humana desde o primeiro arfar ao leite materno
até o último suspiro nos fazendo cárceres e carcereiros de nós mesmos...
nesse desdobrar da vida em curso, 
alguns passeam por ela como por um jardim sem espinhos numa ilusão infante;
outros travam batalhas espartanas tendo em vista uma conquista sem terras; 
ainda há aqueles que se fecham em copas para a realidade [se é que ela existe]
vivendo num mundo inventado de prazeres ou dores.
E há aqueles que escrevem sobre aqueles todos outros buscando significado para si.
Anita Lester

quinta-feira, 26 de agosto de 2010



A maior e mais amendrontadora prisão
é aquela que se constrói dentro de si mesmo
Se faz perversa pois o torturador e o carcereiro
fazem parte da própria carne.
Como então fugir dos próprios anseios, desesperos,
assim como da euforia destruidora de si e daqueles que te cercam?
A licergia, a embriaguez já não dão mais conta de apaziguar o Outro
que se constitui e se alimenta das entranhas e segue pregado nas víceras
de quem sofre e ao mesmo tempo regozija-se de seu lugar ambíguo
Remédios lícitos vêm [tentar] substituir a caminhada na ilegalidade
Adormecimento da dor de existir? Submissão às normas vigentes e ditadoras da normalidade?
Seria a morte a salvação? Ou após a morte seguirão como pares pela eternidade
[se esta existir]

Anita Lester

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Inconstância




]Não creio em mim
A inconstância não me permite
essa confiança...
Me sei apenas hoje,
e a cada dia,
pode ser outra coisa
que me alegra ou me assusta,
me liberta ou me condena.
Presa, estou em mim.
Massa corpórea liberta em sonhos e devaneios.
Sigo...

Anita Lester

terça-feira, 17 de agosto de 2010




Dormes, cálida e quieta...
Tão perto do meu sofrer, tão longe do meu amar...
Olhos inquietos que não querem dormir para te observar
nesse mais um último dia de nós dois.
Um dia desses há de ser o último, pois tudo se finda em um tempo.
Tempo a que desafio e temo constantemente.
Lança-me à sorte dos amantes apartados
O sono invade o corpo e com ele  o pesadelo da despedida
Toca  o despertador  e vais...sabes tu que levas parte de mim
Ficas também...independente de mim...és aqui

Anita Lester

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sonho de ti

Amedrontam-me os sonhos...
minha primeira tarefa do dia é esquecê-los
antes do abrir dos olhos!
Não por serem ruins, em sua maioria...
longe disso! Por vezes tão convidativos
que o mais breve contato com a realidade fere as lentes sonhadoras
que em meio aos mais loucos [e lindos] delírios, se vêem embaçadas
a cada passo de consciência...
Sonhos que alçam vôos macios...que estremecem cada célula do corpo
e deixa rastro fluidos nos lençóis...
ahhh se realizáveis!
Será que seriam tão ardentes o emaranhar de pernas?

Anita Lester

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Volúpia

A dor invade meus poros
dizendo-me viva,
incandescente volúpia
revirando minh'alma
entre gritos mudos e [escapulidos]
sussurros e gemidos
ardendo em febre na ambigüidade dos sentidos
Quero aproveitar de ti cada segundo,
pois em breve de mim sairás.
Guardar-lho-ei dentre as minhas lembranças esquecidas
estiradas no baú de minha existência caótica e dionísica.
Bebo-te até que não mais sejas nada além de uma dor...
que passou.
Anita Lester

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Endorfinas

Endorfinas ainda passeam distraídas...
pelo corpo que ainda treme de ti
Sentidos aguçados pelo o que já foi e
ainda assim não saiu.
Quero tudo enquanto for.
Vem leveza, leva meu ser aninhado em teus braços
para uma noite, enfim, não insone!
Embala meu sono na agitação [anterior] de corpos
sôfregos de desejo; embala com as cores que teve;
com os signos que formou...
nem mais...nem menos!
Não é necessário pintar um quadro 
que foi completado com esmero e perfeição.
Anista Lester

domingo, 13 de junho de 2010

Diversão a três bocas





O vento não seca as lágrimas que derramo
Eu só paro de mijar quando me chamam
Quer mais metafísica que mijar?
É instinto o que quer que façamos?
Não sei...só quero fandangos
Enquanto isso, penso num tango!
A dança das lágrimas que reclamam
Às vezes, sento...e chamo...
Às vezes como um pão.
Às vezes nem isso nem nada disso...
Mas sempre ouço Calypso.
Aí então, perco a noção
Escutando algo assim, internem-me a mim!
Depois disso, nada melhor do que um alecrim!
Ou voar no tapete de Aladim!
Daí, dizer pirilipimpim!
Faça-se a mágica, que as lágrimas parem de rolar...

Anita Lester, Hilda Frankstein, Tchê

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Impressões de "Kairós" - CIA Independente





- O tempo desperdiça minhas horas, horas essas que ele mesmo criou, despatriando-me de dono de mim [o quanto estou arraigada a ele!]
- Transcendo àquilo que me prende, me amarra...gritando como uma gata no cio a defender-se e deleitar-se com os vagabundos da rua
- O tempo me tira tempo de mim; absorve o que mais poderia ser meu
- Mas o tempo vem...cercando minha sombra...ouço o tic tac
- O tempo atravessa os gritos de minh'alma [cansada], fragmenta meu corpo tépido com o peso do Chronos, algoz insaciável
- O sonho é a derrota parcial de Chronos...é onde Kairós reina insuperável...ao menos até o toque imperioso do despertador

Anita Lester

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Ninguém é substituível!


Ninguém é insubstituível? Discordo veemente!
Me pus a pensar sobre isso...não seremos seres únicos
em nossa subjetividade? Como substituir isso?
Não! Não dá para substituir o andar altivo,
as mãos com dedos tortos, ainda que perfeitos ao amor!
Daria para substituir o hálito quente na nuca, outro hálito, nunca o mesmo!
Nem mesmo as batidas do coração ao chegar a hora do encontro são as mesmas
com seres diferentes.
Concluo: Ninguém é substituível! Anita Lester

terça-feira, 8 de junho de 2010

Grito da alma



O silêncio faz gritar a alma até então balbuciando frases surdas



No silêncio sinto gritar tudo aquilo que ainda não sou... nem sei se hei de ser!


E nesse instante, quero tudo, quero mais e mais além


Até que a palavra interrompe esse momento sublime...


E olho a agenda do dia. Anita Lester